A ética que sustenta o diálogo e a construção de confiança
Em 2025, Vicky Bloch no seu artigo no Valor Econômico nos convidou a um pacto: que a ética deixasse de ser um ideal distante para se tornar uma prática cotidiana. Agora que já cruzamos a linha do primeiro trimestre de 2026, me perguntei: esse pacto sobreviveu à urgência das metas e à complexidade dos desafios diários?
Estou mergulhando no universo da Mediação de Conflitos e Facilitação de Diálogos. É fascinante como essa formação tem iluminado o conceito de ética sob uma luz muito pragmática. Na mediação, aprendemos que o compromisso ético do mediador é, antes de tudo, um compromisso consigo mesmo. Não se trata apenas de seguir um manual de conformidade, mas de sustentar um estado de presença regido pela boa-fé.
A boa-fé não é um conceito abstrato; ela é o padrão mínimo de conduta exigido para que qualquer diálogo floresça. Ela se manifesta na lealdade, na coerência entre o que dizemos e o que fazemos, e na seriedade com que tratamos a vulnerabilidade alheia.
Como bem pontuou Vicky em seu artigo, muitas culturas organizacionais adoecem porque o discurso se perde na prática. A inconsistência das lideranças gera uma quebra de confiança que é lenta e penosa de reconstruir. Quando trazemos o olhar da mediação, percebemos que a ética é o que mantém as relações seguras e saudáveis. Sem ela, não há mediação possível e, consequentemente, não há resolução sustentável de conflitos.
A construção de culturas éticas exige um esforço deliberado e contínuo. Ao estudar mediação, vejo que esse esforço passa por adotar uma "lente mais humana". Tratar o próximo como gostaríamos de ser tratados, regra de ouro como citado pela Vicky, exige coragem para enfrentar o ego e a competitividade desenfreada.
Minha reflexão é um convite para que olhar para a ética como uma bússola de navegação pessoal e profissional.
Como mediadora em formação e consultora, renovo meu compromisso com a coerência e com a construção de ambientes onde a harmonia não signifique ausência de conflito, mas sim a capacidade ética de mediá-los com integridade e muita, muita escuta.
Este artigo foi elaborado com base no texto publicado no Valor Econômico “Que a ética seja mais praticada neste ano que se inicia", de autoria de Vicky Bloch.